Desenvolvendo Roteiristas

Este projeto na verdade surgiu da minha total frustração de encontrar bons roteiristas que escrevessem séries de ficção para a TV.  Logo depois do A&E, e em busca do que fazer, eu sabia que tinha que fazer algo com “roteiros”, a palavra da moda… E conversando com uma velha amiga em Janeiro de 2012,  discutíamos que o momento do Brasil era oportuno e que havia a necessidade de se formar bons roteiristas. Não demorou muito, Mara e eu estávamos com um projeto pronto embaixo do braço, batendo de porta em porta nos canais de TV paga no Brasil e estúdios de LA, apresentando a idéia. Encontramos na Globosat o parceiro ideal: a maior programadora do Brasil, que abriga mais de 30 canais e tem o mesmo desafio de todos os canais pagos de aumentar a produção original queria fazer este projeto.

Me arrependo de não ter fotografado cada etapa do caminho, porque tornou-se praticamente um reality show: decidimos começar com McKee, inscrições gratuitas, 1200 inscritos para apenas 250 vagas…. Das 250 vagas, 150 poderiam se candidatar a segunda etapa com os mentores Marta Kauffman, Dan Halsted, Barry Schkolnick e Anthony Zuiker. Recebemos 94 projetos e deveríamos chegar a 24. Fizemos uma primeira triagem, chegamos a 80. Submetesmos os 80 a 5  comitês de 5 peassoas na globosat, que elegeram 25. Submetemos os 25 então a uma bancada final, composta por roteiristas experientes, como Jorge Furtado, Lucas Paraiz o e Carlos Gregório. elegemos 7 facilmente e chegamos a um consenso para chegar a 12. Temos 12 eleitos. Hoje divulgamos os resultados. Estou feliz.
De certa forma, podemos dizer que este projeto contribui fortemente para a consolidação das mudanças em andamento na TV paga brasileira. Com a obrigação de produzir conteúdo e sem tradição alguma de produzir o formato mais característico dos canais a que se destinam – seriado de ficção – encaramos este  desafio como em uma missão e estamos determinados a cultivar uma nova geração de roteiristas especializados justamente em seriados de ficção. Trabalharemos com um grupo reduzido em uma cidade inspiradora, gerando  12 séries com grande potencial de sucesso, com mentores que fazem parte da nata de roteiristas na mais importante indústria de entretenimento do mundo. Por uma semana participaremos de palestras e laboratórios , numa oportunidade única de intensa criatividade, informação e diversão.
Vi coisas boas e vi coisas medíocres. Acho que o Brasil está num momento ótimo. E a produção vai crescer. Quero agora colaborar para transformar este mercado em uma indústria mais profissional. Vontade e capacidade eu tenho….

Televisão Autoral

Esta semana, dois comentários inteligentes e interessantes na imprensa no Brasil, resultados da visita de Robert McKee ao Rio, quando lançamos o Programa Globosat de Desenvolvimento de Roteiristas.  Tendo sido responsável pela concepção e curadoria do projeto, as duas leituras me levaram a refletir sobre a “marca do autor” na TV.
McKee acredita que os brasileiros tem a tendência de privilegiar apenas um autor nas produções brasileiras de TV, principalmente em comparação ao processo de trabalho dos roteiristas americanos, conhecido como o “Writer’s Room”, uma reunião onde todos os roteiristas discutem todas as cenas.  Lá também as séries são autorais e cada autor tem sua “marca” (como Mad Men, de Matthew Weiner, Girls, de Lena Dunham, ou Sopranos, de David Chase). No entanto, a série só entra em produção com uma equipe de roteiristas — que nos créditos de abertura são identificados como “producers”, “consulting producers” ou “executive producers” —  que se reúne quase que diariamente para o tal “Writer’s Room”, onde cada cena e personagens são discutidos à exaustão e muitas vezes destruídos. Como diz McKee, o objetivo é sempre o sucesso do episódio. O “show runner”, que também é o diretor e criador teve a idéia inicial, conhece a história e escreve o roteiro final, mas uma vez que as personagens se definem e ficam mais complexas, todos os roteiristas estão comprometidos com elas de alguma forma….
Isso seria impossível no caso de um telenovela brasileira, por causa do processo de produção, este sim, industrial. A telenovela brasileira além de não ser artesanal, é obra aberta 
(a história pode mudar se o público rejeita algum personagem ou trama). As séries americanas, que não são nem artesanais e nem abertas, só exigem que os roteiristas estejam no set para reescrever diálogos ou cenas que não funcionem. Como a produção é constante e a oferta é enorme, o mercado se caracteriza como indústria, mas não o produto. São características distintas de mercado.

Na segunda parte de nosso Programa de Desenvolvimento de Roteiristas, quando trabalharemos com mentores como Marta Kauffman e Anthony Zuiker, a Globosat, Panoramica e eu tivemos o cuidado de incluir laboratórios diários simulando o “Writer’s Room” americano, tanto nos dramas quanto comédias. Nosso objetivo é realmente colaborar na qualificação dos roteiristas brasileiros. Quem sabe não estamos iniciando novos processos para os roteiristas (logo, a produção nacional) e um novo mercado..?
Já a outra reportagem me faz pensar nas idéias propriamente ditas… Se saio de um seminário com uma só convicção é que se não tenho nada a dizer, não tenho enredo algum. McKee chega a dizer que os brasileiros canibalizam suas prórpias histórias, adaptando livros para o cinema. Por que não se tem idéias originais para o cinema (ou TV) e sim adaptam-se para a tela apenas romances ou novelas já publicados? Ao selecionar uma lista dos principais filmes brasileiros recentes para McKee, antes que fosse ao Rio, me dei conta que a maioria eram adaptações de livros… Faltam idéias ou falta coragem para correr riscos?
Obrigada Patricia Kogut e João Bernardo. Adoro intelligent banter e convites à reflexão .

Food for thought

HBK Incubates is a non-profit food business development group in NY that does an amazing job aiding future gastro-entrepreneurs.  Originally founded to offer employment opportunities to low income immigrants, HBK has become a thriving business in the industry. First with Hot Bread Kitchens, baking multi-ethnic breads for gourmet delis such as Dean & Deluca, Union Square market, and Fort Greene; now with the incubates projects they offer women and minorities overall a real hands on training to become entrepreneurs. From the rental space in a commercial kitchen in Queens, to assistance in developing large scale recipes, and workshops about everything in the food business, from networking to financial planning and marketing.